sexta-feira, junho 1

Estou em silêncio para comigo!

Digo o nada com o nada falando, murmúrios de silêncio ecoam no espaço, onde a ausência de oxigénio os não propaga e apaga.

Não me ouço quando não falo nem me importo por não falar.

Ou importo?

Também não me sei escutar quando nem penso em não falar.
Sinto-me surdo, mudo, autista...
artista de ecos inexistentes nunca presentes na pauta dos sons.

Deixo vaguear os tons pela chama do ausente, sinto-me mudo, calado, flagelado pelos sons do nada.

Passeio no purgatório com alma penada, pesada como a mudez a que me obrigo.

Estou em silêncio para comigo!